PALESTRA NA UNIVERSIDADE DE FORTALEZA – UNIFOR

Olá Pessoal!

Essa semana fiquei muito feliz e realizada ao retornar à Universidade de Fortaleza ( onde me formei ), para ministrar uma palestra sobre: ” A Fisioterapia Orofacial e suas áreas de atuação “. Essa apresentação fez parte do projeto DE OLHO NA CARREIRA, organizado pela coordenação do curso, que tem como objetivo mostrar um pouquinho de várias áreas da Fisioterapia para os alunos que estão iniciando na graduação. 
Para mim foi muito importante, pois além de falar um pouco das minhas experiências, divulguei a FISIOTERAPIA OROFACIAL. Isso é muito importante, já que ainda são poucos os que se interessam pela área.
Com a prof.(a) Leila Maria Machado organizadora do projeto.
Como prometi aos alunos que estavam presentes, segue abaixo o link para quem quiser baixar a apresentação dos slides.

ARTRITE REUMATÓIDE X DOR OROFACIAL

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, a Artrite Reumatóide (AR) pode ser definida como uma doença auto-imune, crônica e inflamatória, na qual pode provocar inflamação das estruturas componentes de uma ou mais articulações, pois o sistema de defesa do organismo passa a atacar a membrana sinovial. Se não for tratada, esta inflamação pode causar a destruição das articulações e uma série de deformidades.
A AR  acomete cerca de 1% da população, sendo mais comum em mulheres por volta dos cinquenta anos. Pode ter caráter genteico, assim como, fatores ambientais, hormonais e infecções periodontais também podem predispor à doença.
Os principais sintomas são:
– Pode iniciar com uma ou poucas articulações inchadas, quentes e dolorosas 
– Rigidez articular ( principalmente pela manhã)
– Fadiga
– Acometimento das mãos em quase todos os pacientes
– Evolução progressiva ( se não for tratada)
– Pode levar a alterações em todas as estruturas das articulações 
– Principais deformidades => “dedos em ventania”, “pescoço de cisne”, “mãos em dorso de camelo “, dentre outras.
Com a progressão da doença, a AR pode acometer a coluna cervical com subluxação atlanto-axial ( deslocamento das primeira vértebras cervicais) podendo gerar dor que irradia para a região occipital e dificuldade para mexer o pescoço.
O diagnóstico da AR é basicamento clínico, mas pode ser complementado pelo hemograma ( atividade inflamatória, fator reumatóide, anticorpo antipeptídeos citrulinados cíclicos) , radiografias, ultrassonografia e ressonância magnética.
ARTRITE REUMATÓIDE E ATM
O acometimento das ATM’s pela Artrite Reumatóide pode ocorrer devido a perda do suporte condilar, gerando uma maloclusão aguda, com fortes contatos nos dentes posteriores e mordida aberta anterior. A dor oriunda da ATM pode refletir-se no ouvido, têmporas e região cervical. 
Apesar de na literatura a dor na ATM’s ser considerada uma complicação decorrente da progressão da doença, e que esta muitas vezes só aparece em casos mais avançados. Já estão sendo realizadas pesquisas que questionam essa teoria, podemos citar uma pequisa realizada na Escola de Medicina Paulista em São Paulo, na qual os pesquisadores verificaram que a força de mordida, avaliada através de uma exame da ATM permite diagnosticar a patologia, antes da ocorrência de alterações irreversíveis no organismo.
A pesquisa foi realizada com dois grupos , ambos com 75 integrantes cada, um grupo de indivíduos com artrite reumatóide e outro grupo controle. Todos os integrantes foram submetidos a mesma avaliação pela dentista Carmem Paz Santibanez, que contava com questionário, exame físico e verificação da forca de mordida e da força das mãos e movimento de pinça. 
Após a análise dos resultados eles verificaram que a região orofacial de indivíduos com AR possuía mais alterações do que dos indivíduos saudáveis e que diminuição da força de mordida acompanhava a redução de força da mão, o que sugeria que a região orofacial pode ter acometimento concomitante com o sistema músculoesquelético, e deve portanto, também ser acompanhada e avaliada.
Segundo os pesquisadores, comprovada as necessidades de se acompanhar as alterações provocadas pela AR na ATM, o passo seguinte é pensar em intervenções que possam melhorar as funções da boca e da face e a qualidade de vida dos pacientes. Com isso, já se sabe que a primeira medida é uma atenção maior na avaliação orofacial de quem tem a doença.
Fonte: Agência Fapesp 

FISIOTERAPIA E BRUXISMO

Ainda discutindo um pouquinho mais sobre o Bruxismo, agora vamos abordar de que maneira a Fisioterapia pode contribuir nas condições clínicas causadas pelo bruxismo. Bom, o tratamento fisioterápico não visa tratar e curar o bruxismo , ele tem como objetivo atuar na melhora e controle de sinais e sintomas que o paciente possa vir a apresentar, tendo como principais objetivos: alívio ou eliminação da dor músculo-esquelético, restauração da força e a função dos músculos que estão alterados com os estímulos sensoriais, redução da inflamação, redução da regeneração e o reparo nos tecidos, buscar equilíbrio muscular e relaxamento.
 
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DA FISIOTERAPIA 
 
A avaliação fisioterapêutica deve ser realizada primeiramente através da inspeção, observando como funcionam os movimentos de dobradiça e deslizamento da articulação temporomandibular. 
 
Segue-se pela anamnese onde se colhe a história do paciente e investiga sobre as principais queixas e sintomas; como por exemplo: ruídos na articulação temporomandibular ao realizar os movimentos de mastigação, cansaço na face, dificuldade em movimentar a mandíbula, dentes que não se articulam bem e tensão muscular; dores de cabeça, muscular ao mastigar, na nuca ou pescoço, na face ou nos dentes; hábitos parafuncionais como apertar os dentes, ranger os dentes, morder a língua, lábios, bochechas e objetos.
 
Ao realizar o exame físico, deve-se realizar a palpação óssea e dos tecidos moles, sendo realizada simultaneamente em ambos os lados, devendo ser uniforme e bilateralmente simétrico. A palpação dos tecidos moles é realizada nos músculos mastigatórios, cervicais e cintura escapular; visando procurar por crepitações ou estalidos unilateral ou bilateral, travamento articular, espasmos musculares, algias, hipertonismo, sensibilidade muscular, dificuldades mastigatórias, falta de coordenação durante os movimentos mandibulares, facetas de desgastes em esmalte ou dentina, ruídos ou rangimento dental, miosites, entre outros.
 
Segue-se pela avaliação postural estática, onde é avaliada a postura habitual do paciente em relaxamento e de preferência com o paciente semi-despido. São observadas em posição ereta e sentado em vista anterior, perfil e posterior.
 
Ao término da avaliação são realizados alguns testes especiais como por exemplo o teste do calço molar, ausculta de ruídos com o auxílio de um estetoscópio, verificar o grau de mobilidade da articulação através da movimentação passiva e ativa que pode ser realizada com o auxílio de um paquímetro, complementa-se a avaliação com os exames complementares.
 
TRATAMENTO FISIOTERÁPICO 
O Tratamento fisioterápico alivia os sintomas dolorosos, promovendo reabilitação da função muscular comprometida. Os principais objetivos de tratamento são: alívio ou eliminação da dor músculo-esquelético, restaurar a força e a função dos músculos que estão alterados com os estímulos sensoriais, reduzir a inflamação, reduzir a regeneração e o reparo nos tecidos, buscar equilíbrio muscular e relaxamento.
 
O programa é composto pelo repouso articular para alcançar a diminuição do quadro álgico na fase aguda, aliviando os esforços do sistema mastigatório; educação e auto cuidado do paciente é realizada com a finalidade de fazer com que o paciente esteja alerta aos seus hábitos anteriores que influenciam no Bruxismo; utilização de eletroterapia , cinesioterapia e recursos manuais.
O Laser é um antiinflamatório, além de ser analgésico, regenerativo, cicatrizante e anti-edematoso. Tem mostrado eficiência em lesões profundas e superficiais, inclusive em problemas articulares e musculares. No Bruxismo a sua aplicação é realizada por pontos, utilizando em média de 3 a 5 pontos por área, a intensidade varia com o efeito desejado. Tanto o paciente quanto o fisioterapeuta devem utilizar óculos protetores, a fim de proteger a visão.
 
A Pompage é uma técnica que atua na reeducação funcional, caracterizada pelo tensionamento lento, regular e progressivo, no Bruxismo atua nas estruturas do occipital, cervical e cintura escapular. Apresenta ação sobre a circulação, ação sobre a musculartura, ação articular e ação calmante.
 
A Liberação Miofascial promove relaxamento muscular, gerando o alívio da algia, inibe o ponto gatilho e restaura a função muscular alterada. Geralmente é aplicada nos músculos mastigatórios e cervicais devido a tensão muscular.
 
A Cinesioterapia – exercícios terapêuticos – tem como objetivo a reeducação funcional dos componentes músculos-esqueléticos do sistema estomatognático, sendo constituídos por exercícios passivos, exercícios ativos, exercícios ativos-resistidos e ativos-assistidos; devem ser realizados com calma e em casos de limitações devem ser muito dosados para não provocarem a atividade nociceptiva, no entanto não devem provocar algia. Os efeitos da cinesioterapia são: aumento da amplitude de movimento articular melhorando a mobilidade e nutrição da cápsula; promover estabilidade articular; relaxamento muscular; recupera as propriedades dos músculos como força, trofismo e resistência à fadiga; alivia a algia, melhora a conscientização corporal e perceptiva.
 
Exercícios Ativos que tem como objetivo eliminar o acúmulo de metabólicos e melhorar a circulação local, auxiliando no aumento da amplitude de movimento e estabelecendo a função muscular rítmica e coordenada. É indicado quando a mialgia não é a causa predominante. Quando utilizados em repetição, ajudam a estabelecer a função muscular rítmica e coordenada. O fisioterapeuta deve dar o comando verbal e o paciente realizar o exercício solicitado sempre contraindo e relaxando voluntariamente os músculos.
 
Todos os recursos da fisioterapia são importantes e a cinesioterapia deve ser realizada no momento correto e bem aplicada, pois é imprescendível para a melhora do quadro biomecânico. Não deve ser esquecido que as orientações ao paciente também fazem parte do tratamento fisioterapêutico, como: mastigar sempre com os dois lados da boca, não roer as unhas, não apoiar as mãos no queixo, cuidado ao fumar cachimbo ou charuto, não morder bochechas, cuidado ao bocejar (abrir a boca demais pode ser prejudicial), não mascar chicletes, não dormir com travesseiro alto, tomar cuidado com a postura, permanecer com a cabeça bem posicionada durante seus afazeres diários e a alimentação com dieta mole tem sido recomendada com a finalidade de diminuir a força de contração muscular, especialmente nos casos de disfunção aguda. A conscientização de hábitos parafuncionais e vícios posturais que acentuam ou desencadeiam os sintomas são muito importantes para que o paciente possa inibi-los conscientemente.
 
* Este texto foi extraído de publicação do Dr. Alessandro B. Artiolli no blog Dr.Homecare

BRUXISMO E DOR OROFACIAL: EXISTE ALGUMA RELAÇÃO?

Afinal de contas, o que é bruxismo?

De acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial (2008), trata-se do hábito parafuncional de ranger,apertar e /ou comprimir os dentes.
Hoje em dia diferencia-se o Bruxismo do sono e o Bruxismo em vigília, de acordo com a situação de sua ocorrência. O bruxismo do sono é uma disfunção de movimento relacionada ao sono caracterizado por ranger e/ou apertar os dentes durante o sono, usualmente associado a um microdespertar ( The International Classification of Sleep Disorders, 2005).
O bruxismo em vigília (BV) é o ato de apertar e/ou comprimir os dentes durante o período em que o indivíduo está acordado. Infelizmente ele não é muito estudado, existem apenas sugestões sem comprovação cientifica de que ele estaria associado a concentração e ao estresse.
O bruxismo não apresenta risco de vida, porém, ele pode afetar a qualidade de vida do indivíduo, devido a fraturas e desgastes dentários, dor na região orofacial e interferência na qualidade do sono do bruxista ou de terceiros ( KOYANO et al. 2008)
O método mais comum para se avaliar o bruxismo é através de questionários. Porém, esse não é o método mais fidedigno, pois depende do relato do paciente ou de terceiros. Dentre as perguntas que podem ser utilizadas estão:
– Você range ou aperta os dentes durante o sono?
– Ao acordar você sente dor ou fadiga no músculos da face?
– Ao acordar e movimentar a boca, você percebe rigidez ou travamento na sua articulação?
– Nos últimos 3 meses você teve dentes ou restaurações fraturadas, exceto por cárie ou infiltrações?
– Você sente dor de cabeça nas têmporas ao acordar?
– Algum parente ou companheiro de quarto já relatou que você faz ruídos de ranger de dentes enquanto está dormindo?
Achados clínicos 
– Desgaste dental
– Fratura/falha do dente ou restauração
– Hipertrofia do músculo masseter e/ou temporal
– Disfunção temporomandibular
– Relato de sensação de aperto na face
– Sons de rangidos confirmados por parceiros ou terceiros
– Língua, bochechas ou mucosa marcada
RELAÇÃO ENTRE DTM E BRUXISMO DO SONO
Neste momento, o papel do Bruxismo do sono na dor da DTM não foi esclarecido. O BS pode ser o primeiro passo para um sono não reparador, à medida que decorre de um microdespertar, cuja consequências são sonolência excessiva diurna, sono não reparador e aumento dos distúrbios do sono. Mesmo BS sendo ligado ao microdespertar e ao aumento da atividade simpática durante o sono, a maioria dos bruxistas não relatam sono não reparador ou pobre. Este fato desperta a possibilidade do BS refletir uma vulnerabilidade a dor e a outros distúrbios do sono mais do que diretamente causar algum efeito.
O ponto chave pode não ser o total de impulsos nociceptivos mas como estes são integrados e processados no sistema nervoso central. Por esta perspectiva pode não ser surpresa que duas pessoas com o mesmo grau de bruxismo apresentem respostas diferentes em termos de sintomas dolorosos. ( Svensson, Jadidi, Arima, Baad-Hansen, Sessle, 2008)
Em um estudo realizado em 2009 os pesquisadores avaliaram a freqüência de distúrbios do sono em 53 pacientes com DTM ( dor miofascial) através de questionários de diagnóstico estruturados, exames de sensibilidade e polissonografia. Destes pacientes, 75% preencheram os critérios clínicos para BS ( respostas ao questionário mais exame físico). Entretanto, apenas 17% preencheram os critérios polissonográfico. Ainda, 43% dos pacientes apresentaram mais de um distúrbio do sono, sendo que insônia (36%) e apnéia do sono (28,4%) foram os distúrbios mais prevalentes.
Consequências do Sono não Reparador    
 
Quando o indivíduo é privado do sono não-REM há aumento na sensibilidade musculoesqueletal, dores e tensão. O sono não-REM é responsável pelo descanso físico.
– Distúrbio da reparação tecidual muscular ( menor liberação de hormônio de crescimento) e da recuperação ( síntese de proteínas e ATP)
– Perturbações autonômicas, neuroendócrinas, imunes e de neurotransmissores
– Sono não reparador-déficit na modulação da dor
Diante disso, os dados indicam que os clínicos que tratam pacientes com DTM e Dor Orofacial deveriam considerar encaminhar estes pacientes para estudo de seu sono, se a queixa for de dor associada a pobre qualidade de sono, ronco ou outros distúrbios respiratórios como falta de ar, e principalmente, sonolência diurna.
* Os dados contidos no texto acima foram extraídos de um material sobre “Sono,dor orofacial e bruxismo” de autoria da Dra. Juliana Stugisnki Barbosa – www.julianadentista.com

DORES MUSCULARES AGUDAS: EXISTE ALGUMA DIFERENÇA?

Olá pessoal!

O post de hoje, como vocês viram no título, será sobre dores musculares agudas, pois estas apresentam-se frequentemente nos quadro de pacientes com dor orofacial e disfunção temporomandibular, porém não podemos generalizá-las,já que existem diferenças nos tipos de dor e saber diferenciá-las pode ser um fator muito importante na evolução do tratamento do paciente. 
Pois bem, as dores musculares não são patologias simples,estas constituem uma série de alterações periféricas e centrais, onde a dor é apenas uma das manifestações.
As principais características das dores musculares agudas são :
– Dor relacionada com a demanda funcional;
– Palpação com resposta gradual, ou seja, quanto maior a pressão exercida durante a palpação maior será a sensação dolorosa;
– Infiltração anestésica, normalmente leva à fonte da dor.
CLASSIFICAÇÃO DAS DORES MUSCULARES AGUDAS:
– Contração protetora;
– Mialgia pós-exercício;
– Mioespasmo.
CONTRAÇÃO PROTETORA:
Trata-se de uma condição hipertônica imposta pelo sistema nervoso centra (SNC) no qual o mesmo recruta mais unidades motoras para participar da contração, o que resulta em um aumento do tônus muscular, sendo um resultado reflexo e protetor, resultando em rigidez muscular e dor, a fim de proteger as partes lesadas de mais traumas.
O mecanismo acontece da seguinte forma, quando alguma parte do sistema mastigatório é ameaçada, a dor muscular pode ocorrer na mesma proporção para limitar a função da parte ameaçada.
MIALGIA PÓS-EXERCÍCIO:
É uma condição de dor muscular aguda primária não inflamatória que é desencadeada após uso excessivo agudo de um músculo, inclusive os da mastigação.
Qualquer evento com competência pode levar um músculo à fadiga por hiperatividade tem potencial para causar mialgia pós-exercício.
Uma das hipóteses da etiopatogenia está realacionada com as mudanças no ambiente do músculo causadas pela liberação de substâncias algogênicas ( ex: bradicinina, substância P) capazes de causar dor.
Outra hipótese para mialgia pós-exercício diz que um músculo em fadiga dói por hipóxia, pois a hiperatividade muscular, gera um edema no músculo e este por consequência diminui o fluxo sanguíneo para as células musculares, promovendo um déficit energético, com isso o músculo não tem energia e não relaxa, pois um músculo precisa de muito mais energia para relaxar do que para se contrair.

MIOESPASMO
Trata-se de uma contração involuntária, súbita, de um ou mais músculos induzida pelo sistema nervoso central.
O mioespamo pode ser causado pela hiperatividade e estiramento de músculos previamente enfraquecidos por uma contração protetora ou mialgia pós-exercício. Pode também ser fruto de um efeito excitatório central secundário a uma fonte de dor somática profunda em outro local, como por exemplo um ponto gatilho.
Pacientes com mioespamo da musculatura mastigatório, principalmente músculo Masseter, podem apresentar uma má oclusão repentina, relata como “meus dentes tocam mais de um lado” ou “meus dentes não se encaixam direito “.
Abaixo segue uma tabela com as principais carcterísticas de cada de tipo de dor:
Acho que deu para perceber que um evento pode ocasionar um determinado tipo de dor muscular, e este se não for completamente solucionado pode fazer com que, por exemplo, uma contração protetora acabe gerando uma mialgia pós-exercício. Isso poderá ocorrer quando a pessoa tem algum hábito parafuncional que provocam microtraumatismos, e os danos desses traumas são tratados mas o hábito não é eliminado.
As dores miofasciais com presença de pontos gatilhos entram na categoria de dores musculares crônicas , por isso elas não foram mencionadas nesse post. Porém, comentarei só sobre elas em uma próxima postagem.
Até a próxima! 
BIBLIOGRAFIA
FRICTON, J.R; GROSS, S.G. Muscle Disorders .In: PERTES, R.A; SHELDON, G.G. Temporomandibular Disorders and Orofacial Pain. Chicago: Quintessence, p.91, 91 – 108, 1995.
OKESON, J.P. Management of temporomandibular disorders and occlusion, ed. 4, St. Louis: Mosby, v.164, 1998.

CEFALEIAS CERVICAIS

As cefaleias cervicais podem ocorrer devido à alterações nas vértebras cervicais altas ( C0-C3),com manisfestações dolorosas principalmente na região occipital (base do crânio) dependendo da localização da vértebra afetada. 
Quando há comprometimento em C0-C1, a cefaléia ocorre da região occipital para cima.A subluxação (afastamento das superfícies articulares)  de C1-C2 também pode causar cefaleia occipital,o qual agrava-se com a cabeça em flexão. A região C2-C3 também pode desencadear quadros de cefaleia nessa mesma região,sendo agravada com a inclinação lateral da cabeça.
Essas alterações no alinhamento das vértebras podem ser causadas por uma falha nos músculos posteriores da coluna cervical,os quais realizam o contrabalanço da força da gravidade,alterando a postura normal da cabeça e pescoço,e com isso a curvatura normal (lordose cervical) é perdida (retificação) ou invertida (cifose),podendo ocorrer com o tempo degeneração artrótica.
O estresse também pode ser um fator causador, pois ele pode levar à uma contratura muscular e consequentemente uma alteração funcional.
O mau alinhamento dos ombros também é uma alteração frequente,pois este altera a curvatura das vértebras,gerando mudanças da orientação corporal e levando à sobrecarga e ao aparecimento de pontos dolorosos e sensação de aperto. Esses pontos dolorosos podem diferenciar cefaleia cervicogênica (de origem cervical) da enxaqueca e da cefaleia do tipo tensional.

Para entender melhor a relação entre as alterações no posicionamento cervical e as dores na cabeça e na face é preciso primeiramente saber que este tipo de cefaleia é uma forma de dor referida oriunda dos três primeiros segmentos da coluna cervical,como já dito anteriormente,onde está localizado o núcleo trigeminal da medula espinhal. O nervo trigêmeo é o quinto par de nervos cranianos e suas ramificações inervam grande parte da cabeça e face. No núcleo trigeminal, as terminações nervosas do nervo trigêmeo e das raízes nervosas de C1,C2 e C3 se sobrepõem-se e ramificam-se.Com isso,esta convergência aferente de duas vias distintas do corpo para neurônios do sistema nervoso central é uma possível explicação para a dor  referida.

                                                                       Fonte: www.gustavomachadofisio.com

Portanto, o nosso cérebro acaba confundindo a real origem da dor,já que as terminações do nervo trigêmeo e das raízes cervicais altas compartilham um mesmo núcleo de dor e,dessa forma,problemas na coluna cervical podem ser potencialmente percebidos como dor em qualquer área da cabeça ou face.
Compressões da artéria vertebrobasilar também podem ocasionar cefaleias em várias outras regiões do crânio. A causa dessas compressões pode ser um mal alinhamento das vértebras cervicais,um movimento inadequado ou ambos.





Possíveis sinais e sintomas das cefaleias cervicais:
– Precipitação da dor cervical semelhante à espontânea por:
1. movimento do pescoço ou sustentação desajeitada da cabeça;
2. pressão externa da região cervical posterior e superior ipsilateral ou da região occipital;
– Redução da movimentação cervical habitual;
– Dor na mão, ombro e pescoço ipsilateral, de natureza vaga e não-radicular, ou ocasionalmente dor
no braço de natureza radicular (compressão de raízes nervosas).
– Alívio completo ou quase completo (> 90%) da dor após o bloqueio anestésico do nervo grande occipital e/ou da raiz C2 no lado sintomático.
– Unilateralidade da dor sem mudança de lado, podendo ocorrer o quadro em qualquer um dos lados.
– Náuseas
– Fonofobia
– Fotofobia
– Vertigens 
– Dificuldade de deglutição
Características da dor:
– Moderada, não-excruciante, geralmente de natureza não-pulsátil, começando no pescoço e espalhando-se para as áreas oculofrontotemporal,onde, em geral, é máxima;
– Duração variável (horas) ou dor contínua flutuante;
– Preponderância no sexo feminino;
– História de trauma craniano ou cervical (whiplash).

SÍNDROMES CERVICAIS ALTAS

Como eu já havia comentado no post anterior, o livro Terapia Manual nas Disfunções da ATM  me deu algumas idéias de assuntos para posts aqui no blog, uma delas foi discutir um pouquinho sobre síndromes cervicais altas ,já que estas são pouco abordadas quando se trata de dor orofacial e muitas vezes podem gerar dores na face,nas regiões do crânio e cervical,podendo simular sintomas de disfunção temporomandibular (DTM),labirintite, sinusite,dentre outros.

Para entender melhor o que são as Síndromes cervicais altas,acho que é preciso primeiro ficar um pouquinho por dentro da anatomia da coluna cervical, o qual é o segmento mais móvel da nossa coluna vértebral e é formada por sete vértebras.Ela é dividida em dois compartimentos estruturais e com funcionalidades diferentes são eles: o segmento superior ou suboccipital que abrange C0 à C2 e o segmento inferior que vai de C3 à C7.
Agora que já foi explicado que a cervical divide-se em alta e baixa vamos nos concentrar no segmento superior, pois é neste que ocorrem as Síndromes cervicais altas,como o próprio nome já diz.
É de extrema importância saber que alterações na segunda vértebra cervical (também chamada de Áxis) podem ocasionar:
– Dores na região posterior da orelha,irradiando pelo ramo mandibular;
– Perda de equilíbrio;
– Tonturas;
– Dor associada à zumbido no ouvido; 
– Cefaléia unilateral perto da região da orelha

                                                     Fonte: www.stemcelldoc.wordpress.com

                                                                              Fonte: www.eorthopod.com

Não sei se vocês perceberam,mas sintomas muito parecidos com estes podem ser observados em pacientes com DTM,por isso a importância da avaliação minuciosa e do diagnóstico correto que tanto são comentados aqui no blog.
A presença do gânglio cervical superior, fixado abaixo da base do crânio,em frente ao áxis (segunda vértebra cervical) e C3,poderá gerar sintomas de Hipersimpaticotonia, provocando a Síndrome de Horner, cujos sintomas são:
– Ptose (queda da pálpebra superior) ;
– Miose (constrição da pupila);
– Enoftalmia (afundamento do olhos);
– Anidrose (diminuição da transpiração em um dos lados da face).

Isso se dará devido a interrupção da inervação simpática do globo ocular causada pela presença do gânglio.

As fixações vertebrais ou subluxações podem causar irritações do nervo vago, que desce bilateralmente pelo pescoço,levando aos seguintes sintomas:

– Hiper ou hipovagotomia;

– Desmaios;

– Disfagia;

– Alterações no batimento cardíaco e na função intestinal;

– Suores

– Movimentos involuntários e dolorosos

No próximo post escreverei sobre Cefaléias Cervicais,um tema muito interessante também.

Fonte Bibliográfca:

– TENREIRO,M.SANTOS,R. Terapia Manual nas Disfunções Temporomandibulares. 1a edição.Rio de Janeiro: ed.Rubio,2011.

NOVIDADES E DICA DE LIVRO

Olá gente,tudo bem?

Bom como o próprio título do post diz tem duas novidades para contar para vocês, a primeira é que agora estou integrando o corpo clínico do Atelier Odontológico Dra.Verônica Queiroz,que tem como Diretora Clínica Dra.Verônica Querioz,especialista em clínica geral,reabilitação oral e estética odontológica
Fiquei muito feliz com esta parceria,pois tenho certeza que os maiores beneficiados serão os pacientes que terão um tratamento ainda mais completo,pois a clínica conta com especialidades como a Odontologia Reabilitadora e Estética,assim como, Endodontia,Implantodontia e Ortodontia,e agora também contará com a Fisioterapia Buco-Maxilo-Facial.
A outra novidade é que agora tenho um perfil no Instagram e diariamente posto dicas rápidas e informações sobre dor orofacial,disfunção temporomandibular e fisioterapia buco-maxilo-facial,quem quiser seguir é @elyfisioBMF,assim,temos mais um meio de troca de idéias.

Agora a dica de livro que eu tenho é para os colegas de profissão interessados por disfunção da ATM, trata-se do livro Terapia Manual nas Disfunções da ATM dos autores Marcelo Tenreiro e Robson dos Santos editora Rubio. Adquiri no congresso da SBDOF e ele tem sido minha fonte de estudo dos últimos dias.O livro é muito interesante porque é direcionado para nós fisioterapeutas,aboradando bem essa visão global que devemos ter com os nossos pacientes,porém,discuti e explica conceitos da Odontologias muito importantes para o nosso conhecimento.Já tenho vários temas de posts em mente que com certeza o terão como fonte bibliográfica.
Por hoje é só, até o próximo post!!!!
Ah!e sigam o perfil no instagram!!!!

RESUMO I CONGRESSO BRASILEIRO DE DOR OROFACIAL

Olá pessoal!!

Como já havia postado aqui para vocês, aconteceu nesse último final de semana no Maksoud Plaza em São Paulo o I Congresso Brasileiro de Dor Orofacial, organizado pela SBDOF (Sociedade Brasileira de Disfunção Temporomandibular e Dor Orofacial), e eu estava lá com muito prazer e satisfação.
 
Primeiramente o que eu tenho a dizer sobre o evento é que foi muito bom, superou as minhas expectativas. A organização estava impecável, as palestras com temas relevantes, presença dos profissionais de maior renome na área de dor orofacial e crônica.
 

                  Auditório lotado em todos os momentos, todos atentos às palestras!

 
 
A palestra que deu início ao evento foi a do Dr.Paulo Conti (Presidente da SBDOF) e tinha como tema a “Interpretação dos achados no exame do paciente com dor orofacial : montando o quebra-cabeça”, nela ele ressaltou a necessidade de um tratamento individualizado para os pacientes com dor orofacial, sendo necessária uma avaliação minuciosa, onde o profissional deve estar bem atento à todas as informações passadas pelo paciente, pois são estas que muitas vezes ajudam a montar o quebra-cabeça e fechar um diagnóstico, ou seja, deve-se segundo o Dr.Paulo ter uma abordagem analítica seguindo regras e lógicas e não uma inércia diagnóstica na qual orienta-se por um pensamento coletivo.
 

                                              
                                                                     Dr.Paulo Conti

Outra palestra muito interessante foi a da Dra. Márcia Kil que abordava a possível relação entre zumbido, ATM e o sistema somatossensorial.Achei bem legal,pois ela apresentou os resultados de uma pesquisa realizada por uma fisioterapeuta como uma de suas referências, e salientou que a presença de pontos gatilhos ativos pode muitas vezes está relacionada ao zumbido, e ao desativar esses pontos os pacientes podem apresentar melhora considerável.

Confesso que fiquei muito feliz ao assistir a apresentação do Dr.Evandro Faulin, Fisioterapeuta, pois como próprio tema dizia ele esclareceu dúvidas sobre a Fisioterapia no tratamento DTM, isso para nós Fisioterapeutas é muito importante, pois demonstra o espaço e reconhecimento que nossa profissão, e principalmente nossa especialidade vem ganhando.

Por fim, em mais de uma palestra foi discutido que ajustes oclusais podem não ser efetivos no tratamento da dor orofacial, pois não há evidências de que terapia oclusal trata dor, devendo se primeiro optar por outras condutas que sejam reversíveis. Diante de tudo isso que foi dito,o que ficou mais claro nesses dois dias intensos de discussões sobre dor orofacial, foi que não existe uma só forma de tratar os pacientes, e o mais importante antes de já traçar o plano de tratamento é identificar a etiologia da dor, pois só dessa forma pode-se ter resultados satisfatórios e duradouros , portanto , como foi dito em uma das explanações  “PLACA OCLUSAL NÃO É DIAGNÓSTICO”.
 

                                                                               

 
 
 
 
Ah!já ia esquecendo para quem tiver interessado foi disponibilizado no site da SBDOF os slides de duas apresentações do congresso uma com o tema “Transtornos afetivos e dor crônica” e a outra “Drogas analgésicas adjuvantes na terapia da dor crônica”. Quem quiser fazer o download segue o link abaixo:
 
 
Até o próximo post!!! 
 

O QUE SÃO E COMO SÃO FORMADOS OS PONTOS GATILHOS ?

Olá Pessoal!

No estudo sobre as dores musculares e ou até mesmo no dia-a-dia escuta-se ou lê-se muito sobre pontos gatilhos ou triggers points,sendo estes popularmentes conhecidos como os famosos “nós” de tensão presentes na musculatura,como por exemplo no trapézio fibras superiores.Porém,muitas vezes há muitas dúvidas e questionamentos acerca do processo de formação desses nódulos de tensão e de suas causas.Então segue abaixo um breve resumo sobre a patofisiologia e a etiologia dos pontos gatilhos,espero que ajude a esclarecer um pouquinho.

O QUE SÃO PONTOS GATILHOS?


Os pontos gatilhos miofasciais (ou trigger points) são pequenas áreas hipersensíveis localizadas em uma banda tensa palpável da musculatura esquelética, que espontaneamente ou sob estímulo mecânico desencadeiam dor local e/ou referida em áreas adjacentes.
Os triggers points podem ser classificados como ativosou latentes:
Ativo => Ocorre quando sua estimulação (ex: palpação) gera dor referida e reproduz a queixa dolorosa preexistente referida pelo paciente. A dor é espontânea ou surge ao movimento, limita a amplitude do movimento (ADM) e pode causar sensação de fraqueza muscular
Latente => Este encontra-se em áreas assintomáticas e só provocam dor local e referida quando estimulados. Não se associam à dor durante as atividades físicas normais.

PATOGÊNESE DOS PONTOS GATILHOS

Hipótese da crise energética (Energy crises theory)
             
Esta hipótese leva em consideração que uma lesão no sarcolema( membrana que envolve o feixe muscular) ou destruição do retículo sarcoplasmático, devido a um microtraumatismo, resulta em liberação de Ca++ e  acúmulo deste próximo ao local da lesão. O Ca++ livre interage diretamente com os miofilamentos, mesmo sem a presença de um potencial de ação, promovendo uma contração muscular mantida. Estando a circulação sanguínea normal, este processo é revertido pela remoção de Ca ++ de volta para o retículo sarcoplasmático, o que finaliza a contração muscular. Nos casos em que a circulação local está comprometida, a remoção de Ca++ não acontece ou é insuficiente, resultando em  uma área rígida, isquêmica, com acúmulo de resíduos metabólicos e sem chegada de fontes de energia.
             
Todos esses eventos contribuem para chamada “crise energética intensa local”. Por falta de fontes de energia, os sarcômeros não possuem ATP suficiente para ativar a bomba de Ca++, e assim não ocorre por seu retorno para o retículo sarcoplasmático, resultando em uma contração muscular máxima e sustentada dos sarcômeros. A dor sentida no local da lesão pode ser explicada pela liberação de substâncias, como bradicinina, prostaglandinas e histaminas, que podem sensibilizar nociceptores, devido à hipóxia local intensa e a crise energética dos tecidos.
Mecanismo de lesão
             
O mecanismo da lesão é a forma principal de desencadeamento de PGMs, independente de qual mecanismo fisiopatológico levará a sua formação. Estudos apontam microtraumas, agudos ou repetidos, como contribuintes para a formação desses pontos dolorosos, além de outros fatores como: distúrbios do sono, deficiências de vitaminas, predisposição para desenvolvimento de microtraumas e distúrbios posturais.
             
Como possíveis causas de microtraumatismos, podem-se apontar: alongamentos ou encurtamentos excessivos, sobrecarga muscular, movimentos repetitivos.
             
Microscopicamente, podem-se verificar encurtamentos de sarcômeros levando ao encurtamento muscular. A reação compensatória do músculo conta Ra dor, juntamente com o encurtamento patológico dos sarcômeros, provocam uma perda de flexibilidade. A perda da flexibilidade altera a mecânica articular e, consequentemente, perturba a propriocepção gerada nesta. Com a propriocepção anormal, não ocorre o envio de informações precisas do segmento corporal correspondente e uma nova lesão poderá se sobrepor e intensificar ainda mais o problema.

  

Na figura acima pode-se verificar como fica o sarcômero no estado de contração muscular,pois bem, no caso de um ponto gatilho presente na musculatura,este será o estado permanente em que a fibra muscular será mantida e não somente durante a contração.
Referências Bibliográficas
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Fonte das imagens:

www.cabuloso.xpg.com.br