BRUXISMO E DOR OROFACIAL: EXISTE ALGUMA RELAÇÃO?

dor-orofacial

Afinal de contas, o que é bruxismo?

De acordo com a Academia Americana de Dor Orofacial (2008), trata-se do hábito parafuncional de ranger,apertar e /ou comprimir os dentes.
Hoje em dia diferencia-se o Bruxismo do sono e o Bruxismo em vigília, de acordo com a situação de sua ocorrência. O bruxismo do sono é uma disfunção de movimento relacionada ao sono caracterizado por ranger e/ou apertar os dentes durante o sono, usualmente associado a um microdespertar ( The International Classification of Sleep Disorders, 2005).
O bruxismo em vigília (BV) é o ato de apertar e/ou comprimir os dentes durante o período em que o indivíduo está acordado. Infelizmente ele não é muito estudado, existem apenas sugestões sem comprovação cientifica de que ele estaria associado a concentração e ao estresse.
O bruxismo não apresenta risco de vida, porém, ele pode afetar a qualidade de vida do indivíduo, devido a fraturas e desgastes dentários, dor na região orofacial e interferência na qualidade do sono do bruxista ou de terceiros ( KOYANO et al. 2008)
O método mais comum para se avaliar o bruxismo é através de questionários. Porém, esse não é o método mais fidedigno, pois depende do relato do paciente ou de terceiros. Dentre as perguntas que podem ser utilizadas estão:
– Você range ou aperta os dentes durante o sono?
– Ao acordar você sente dor ou fadiga no músculos da face?
– Ao acordar e movimentar a boca, você percebe rigidez ou travamento na sua articulação?
– Nos últimos 3 meses você teve dentes ou restaurações fraturadas, exceto por cárie ou infiltrações?
– Você sente dor de cabeça nas têmporas ao acordar?
– Algum parente ou companheiro de quarto já relatou que você faz ruídos de ranger de dentes enquanto está dormindo?
Achados clínicos 
– Desgaste dental
– Fratura/falha do dente ou restauração
– Hipertrofia do músculo masseter e/ou temporal
– Disfunção temporomandibular
– Relato de sensação de aperto na face
– Sons de rangidos confirmados por parceiros ou terceiros
– Língua, bochechas ou mucosa marcada
RELAÇÃO ENTRE DTM E BRUXISMO DO SONO
Neste momento, o papel do Bruxismo do sono na dor da DTM não foi esclarecido. O BS pode ser o primeiro passo para um sono não reparador, à medida que decorre de um microdespertar, cuja consequências são sonolência excessiva diurna, sono não reparador e aumento dos distúrbios do sono. Mesmo BS sendo ligado ao microdespertar e ao aumento da atividade simpática durante o sono, a maioria dos bruxistas não relatam sono não reparador ou pobre. Este fato desperta a possibilidade do BS refletir uma vulnerabilidade a dor e a outros distúrbios do sono mais do que diretamente causar algum efeito.
O ponto chave pode não ser o total de impulsos nociceptivos mas como estes são integrados e processados no sistema nervoso central. Por esta perspectiva pode não ser surpresa que duas pessoas com o mesmo grau de bruxismo apresentem respostas diferentes em termos de sintomas dolorosos. ( Svensson, Jadidi, Arima, Baad-Hansen, Sessle, 2008)
Em um estudo realizado em 2009 os pesquisadores avaliaram a freqüência de distúrbios do sono em 53 pacientes com DTM ( dor miofascial) através de questionários de diagnóstico estruturados, exames de sensibilidade e polissonografia. Destes pacientes, 75% preencheram os critérios clínicos para BS ( respostas ao questionário mais exame físico). Entretanto, apenas 17% preencheram os critérios polissonográfico. Ainda, 43% dos pacientes apresentaram mais de um distúrbio do sono, sendo que insônia (36%) e apnéia do sono (28,4%) foram os distúrbios mais prevalentes.
Consequências do Sono não Reparador    
 
Quando o indivíduo é privado do sono não-REM há aumento na sensibilidade musculoesqueletal, dores e tensão. O sono não-REM é responsável pelo descanso físico.
– Distúrbio da reparação tecidual muscular ( menor liberação de hormônio de crescimento) e da recuperação ( síntese de proteínas e ATP)
– Perturbações autonômicas, neuroendócrinas, imunes e de neurotransmissores
– Sono não reparador-déficit na modulação da dor
Diante disso, os dados indicam que os clínicos que tratam pacientes com DTM e Dor Orofacial deveriam considerar encaminhar estes pacientes para estudo de seu sono, se a queixa for de dor associada a pobre qualidade de sono, ronco ou outros distúrbios respiratórios como falta de ar, e principalmente, sonolência diurna.
* Os dados contidos no texto acima foram extraídos de um material sobre “Sono,dor orofacial e bruxismo” de autoria da Dra. Juliana Stugisnki Barbosa – www.julianadentista.com
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